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6 poemas de Daniela Pace Devisate




CÓPULA


amo as bodas

dos minúsculos insetos:

borboletas coladas

uma à outra

ou a antropofagia amorosa

de abelhas-rainhas


 

GERMINAL


tremendamente feliz.

no jardim secreto

da alma,

a semente

há tanto tempo plantada,

começa a germinar.

E que cor terá sua flor?


 

FLOR SERPENTE


mistura seiva

ao sangue

subindo pelo tronco-caule

kundalini primavera

transmutando chakras

em jardins


 

FLORESTA DE SÍMBOLOS


na mata cerrada das palavras

algumas árvores são lendas

mas as flores são poemas


 

MANDALA


aranha fiandeira

de rosa a rosa

tece a sua teia

mandala transparente

por onde o céu clareia


 

EMBOSCADA


com uma flor vermelha na boca

busco o que restou

no altar da neve

improvisando o resgate da noite

prestes a se afogar no espelho

a beleza não precisa ser salva

tem suas leis invioladas

seus esconderijos e acampamentos

e mesmo o traidor bebe de sua fonte

( ali, ficaremos de tocaia )



Poemas do livro Berço de lírios, no prelo (editora Clóe)



 

Daniela Pace Devisate nasceu em São Paulo, capital, em 1971. Pedagoga e artista visual, professora de Arte da rede estadual paulista, poeta, ilustradora e artesã de livros. Participa com livros artesanais em feiras de publicação independente, desde 2017. Publicou seu primeiro livro, Tantos quartos lunares, poesia, pela editora Urutau, em 2020. O segundo livro, também de poesia, Véus de Alethea, saiu pela editora Kotter, em 2022. Em 2022, também organizou o livro Escrituras da menarca, pela editora Essencial, com 11 mulheres poetas. Participou de várias antologias, entre elas, As mulheres poetas na literatura brasileira, org. Rubens Jardim, ed. Arribaçã. Em 2021, participou da I Jornada Internacional de Poesia Visual, com dois de seus ‘corpoemas’. Tem um livro no prelo pela editora Clóe, berço de lírios. Mantém um canal de literatura no YouTube, mastigando livros, desde 2020.

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