4 poemas de Pedro Vale

Atualizado: 20 de ago.



A Antonin Artaud


Apesar da fraga peduncular,

Festejo a tarde.


Cheiro, racionalizo

E bebo da imensa frescura de luz.


Vital a liberdade da saudosa aventura:

Paris-turva.


Avanço.


Druida da disfuncional

Quimera lisa,

­­- furúnculo.


Ponte atravessada pela cavilha da fome vindoura.


Seda, baba e esfinge meio calada,

Louca, por fim!


Até que uma nova boca,

Tecido de ralo,

Bidonville ou

Rapé de caminho solto

E enxuto,

Me resplandeça...


O tremor.




Ahab, capitão


Mergulho no azul do poema

Desafiando ordem alguma

E sonho um verso que não: «

Baleia, baleia, baleia, baleia...»




SÓ ESTA NOITE


Tiro a folha do bolso de trás.

Outra forma de vida.


Um céu demasiado limpo.

(queria tanto cheirá-lo)


Sopra a vida que conhecerás.

Casa de cetim translúcido.


Fendas acidentalmente pisadas.

A bebida que bebe o homem.


(Grito teu nome no papel branco)


- Amanhã durmo até tarde na campânula.

- Fingiremos só esta noite.




AÇORES

Da cava janela,

Um meteoro abstrato

Ofusca a delícia da vista,

Obstruindo o manto natural.


Reinam o cone asfáltico,

Areia sintética,

A faúlha polar,

Tijolo

Glacial.


Invento um

Sonho de mil'anos,

Extermínio

Interno

Brutal


:


Campos

De verde-chá,

Fresco tapete branco,

E azul cheiro de mar,

Sem gente

Apocalíptica

No local.




Pedro Vale é um escritor e poeta português que habita na Madeira. Professor de Português e Inglês, leciona no primeiro ciclo desde 2002, tendo cursado Ciências da Cultura e encontrando-se de momento a frequentar o mestrado em Gestão Cultural na Universidade da Madeira. Azul Instantâneo é o seu primeiro livro.

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