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1 poema de Marcelo Ariel




HAKIM BEY NA OCUPAÇÃO 9 DE JULHO


O Estado mundial é o corpo

Novalis



Diadema é um dos nomes do monádico

que como o Pássaro da Eternidade

é buscado por aqueles que procuram

aquilo que jamais pode ser encontrado

e aparece em nossos sonhos o que está aqui

como uma paisagem invisível

apenas porque ainda não olhamos para ela


O paraíso está nos olhos que podem ouvir

aquilo que veem

O paraíso está nos olhos

de quem os fecha para poder ver

Pergunte ao si mesmo que se opõe ao eu?

porque o amadoamada sem nome

criou-se em árvores antes de criar-se em cosmo?


Chega-se até a favela de Eldorado pela elevação movente aqui

através da fusão do um se vai ao onze

fusão opaciada pela dimensão dos negócios bancários

onde a alma é convencida da inexistência do humano

depois ela será reconduzida até o começo do despertar, quando o dinheiro e a água forem bens públicos

reinvindicaremos isto

através da universidade desconhecida dos sonhos lúcidos

onde o corpo se vê retrovado

porque não existe ali

a necessidade de espelhos

porque podemos ver

o rosto do outraoutro

antes de nascermos

A gênese do lugar

uma topologia fantasma

chamada Canudos em toda parte

que se move

por dentro

do ônibus

lotado

que também é um massacre

embora incapaz de roubar

nossas potências nômades

nossa poderosa fragilidade

sempre lutando

contra os buracos brancos,

vencendo apenas

quando somos observadores

da fenda etimológica

e anulamos a magia cinza econômico-jurídica dos brancos


porque a palavra PODER jamais se referiu a um poder real

falava das emanações do simulacro de um pesadelo

cercado de povoamentos de sonhos


Sabemos ao sentir

o Aberto

que a língua da brisa

na copa das árvores

é mais real

do que angústia

anunciando a magia da segunda e terceira mentes

chamando a terceira pessoa do singular

até que venha o silêncio que é como uma força

Cosmogramática

através dela O PODER

com sua representatividade nula do irreal

será estilhaçado

por um tipo de polinização

destes silêncios autopoéticos

que deslocam a percepção do sonho

para todos os outros estados

do corpo

para todos os contornos e esboços

da presença do mundo

longe do encanto etimológico

que é como uma porta feita

com chaves coladas umas nas outras

com gelo e névoa

para ser dissipada pelo movimento

livre, despensado e solar do corpo

Todos os movimentos são celestes

do vento na teia de aranha

aos alvéolos

dos anéis de Saturno

até a embalagem plástica

do supermercado

voando como o anjo da história

na não intencionalidade

do ar


Podemos sentir

que a vontade da matéria

está atrás do pensamento de todas as coisas

que estão umas dentro das outras

como a água na água-viva

e o som nas explosões solares

ecoando nas batidas do coração do Colibri

e nas do nosso

Sabemos que asas foram enterradas

no corpo das mulheres

há algo de sublime nos fios

entrelaçados que formam a matéria

na vontade dos fios

na vontade das asas

na autonomia

bioestelar

que empurra o sangue

para o Sol no alto da cabeça

dos animais

que empurra a seiva

para o alto da cabeça vegetal

o cérebro polifônico da copa das árvores

coreocosmogramatológico

como o cérebro das nuvens

e o dos rios

mas não apenas o cérebro : O CORPO

que os antigos chamavam de NÃO MENTE

O CORPO NÃO MENTE

A natureza, sem esquemas

As supernovas, sem esquemas

Ou seja EROS

Pólenomádico

e sua maravilhosa buceta

que um dia foi

A TERRA




Poema de Vamos nos maravilhar nova versão, reescrita e ampliada.



 


Marcelo Ariel é poeta, ensaísta e teatrólogo. Nascido em Santos-SP , Brasil em 1968. Autor de Tratado dos Anjos Afogados ( Letra Selvagem ), Ou o Silêncio Contínuo poesia reunida 2007-2019 (Kotter Editorial-Prêmio Biblioteca Nacional 2020 ), Nascer é um incêndio ao contrário ( Kotter, 2020) e Subir pelo Inferno, descer pelo céu ( Kotter Editorial, 2021), As três Marias no quadro de Jan Van Eick ( Fósforo/Luna Parque/Círculo de Poemas-2022, Arcano 13 ( Com Guilherme Gontijo Flores- Editora Quelônio-2022), 22 clareiras e 1 abismo poemaensaio ( Letra Selvagem, 2022) entre outros. É colaborador das revistas Quatro Cinco Um, EGaláxia e Cult e como autor convidado do Laboratórios de Criação — Escrita de Literatura e Teoria dentro do Programa de Estudos Comparados de Literatura Portuguesa (Pós-Graduação da Universidade de São Paulo, Letras/FFLCH). Desde 2016 coordena cursos livres de escrita, poética e filosofia em São Paulo

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