Vicent Pallarés Pascual por Anna Cortils Munné



MEMBRANA QUEBRADA


Eu queria comemorar, mas só encontrei portas fechadas.

Eu pego imagens

quando as acaricio velam-se.

Química, dissolução.


* * *


Surgem fugazmente nas conversações

aqueles mortos esquecidos,

que ninguém da família conheceu.

O que significa ser enterrado se ninguém se lembra de você?

Devem ser envolvidos por uma sensação de esquecimento que os inquieta.


* * *


Dentro da noite, a grama está empilhada.

Os comboios partem e não restam cemitérios na cidade.

Sou recebido diferente, talvez as maneiras tenham sido esquecidas,

talvez apenas passaram os anos.

Estou surpreso e não sei o porquê.

Eu me enrolo na dúvida

agora nova para mim.

Novidade permanente.


* * *


Escultura antiga, ganhou

vida,

tornou-se

geometria confusa.


* * *


A cúpula que cai sobre um morto envolve-a.

Nudez extrema que contém muitas verdades para se desmoronar.

Placa comemorativa de uma vida,

agora mais próxima da pedra do que da seiva.

Rosto do que não é mais,

rosto esculpido

da ave migratória.


* * *


Enquanto penso o que talvez terei de dizer,

será mais difícil ou impossível para mim

ouvir o barulho da distância.

Mágico, o eco que se repete.


* * *


O dia em que não haverá ninguém que você conheça.

Seus rostos agora são atalhos,

dissoluções,

extermínio dos dias.

Eles dizem que você vai ser o próximo.


* * *

Tenra a membrana que separa

vida, memória

e palavra.

Fácil a ruptura.


* * *


Minúsculo é o ponto em que a vida pega o seu destino, que a levará à morte.

Instante em que por uma pequena decisão tudo mudará para sempre.

Sem retorno.

Um botão para fazer a forma desaparecer

em um lugar de geografia incerta, reservado para surpresa.

Caixa com mola.



MEMBRANA TRENCADA


He volgut celebrar però sols he trobat portes tancades.

Prenc imatges,

quan les acarono es velen.

Química, dissolució.


* * *


Surten fugisserament a les converses

aquells morts oblidats,

que ningú de la família va conèixer.

Què deu simbolitzar ser enterrat si ningú se’n recorda de tu?

Els deu envoltar una sensació d’oblit que els inquieta.


* * *


A l’interior de la nit s’amuntega l’herba.

Els trens marxen i no queden cementiris a la ciutat.

Se’m rep diferent, potser s’han oblidat els modals,

potser sols han passat els anys.

Em sorprèn i no sé el perquè.

Em corbo davant del dubte

ara nou per a mi.

Permanent novetat.


* * *


Vella escultura,

prenia vida,

esdevenia

geometria confusa.


* * *


La cúpula que cau sobre un mort i l’envolta.

Nuesa extrema que conté massa veritats que s’esfondraran.

Placa commemorativa d’una vida,

ara més a prop de la pedra que de la saba.

Cara del que ja no és,

rostre esculpit

de l’au migratòria.


* * *


Mentre penso el que potser hauré de dir,

em serà més difícil o impossible,

escoltar el soroll de la llunyania.

Màgic, l’eco que es repeteix.


* * *


El dia que no hi haurà ningú dels que coneixes.

Els seus rostres ara són dreceres,

dissolucions,

extermini dels dies.

Et diuen que seràs el proper.


* * *


Tendra la membrana que separa

vida, record

i paraula.

Fàcil la ruptura.


* * *


Minúscul és el punt en què la vida pren el seu destí que la portarà a la mort.

Instant en què per una petita decisió tot canviarà per sempre.

Sense retorn.

Un botó que premeu perquè la forma desaparegui

en un indret de geografia incerta reservat a la sorpresa.

Caixa amb molla.



Tradução: Anna Cortils Munné



Vicent Pallarés Pascual (Castelló de la Plana, 1981). Em 2002 ganhou ex-aequo o XXIV Prémio Pròixita de Poesia com a obra "Nocturnes paraules", (2009). Publicou o seu poemário "SU" na revista de Maiorca S'Esclop Quaderns culturals (n., 44. 2009). Colabora em diferentes revistas literárias e científicas.

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